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Eu não virei a minha mãe. E agora?!

Já é de praxe, toda vez que vejo depoimentos de mães, 99% delas dizem que transformaram-se nas suas próprias mães. Como quem diz "eu sempre a critiquei, e fiquei igual" ou também têm aquelas que concordam com a criação dada à elas e resolveram seguir os mesmos moldes.

Eu não virei a minha mãe.

Quem nos conhece sabe que somos opostos. Sou muito parecida em jeito, personalidade e até de aparência com meu pai. Minha mãe e eu sempre fomos bem diferentes, mas sempre nos demos bem
Tanto ela quanto eu temos a personalidade muito forte, então estamos sempre batendo de frente.

Acontece que eu crio os guris exatamente da forma inversa com que fui criada.
Eu sou metódica, metida a sabe-tudo mas, ao contrário do que muitos pensam, não sou um poço de organização.
Já fui, já fui bem organizada, mas hoje em dia, a minha rotina não permite tanta organização. Só quem tiver na minha pele pra entender. Eu tenho o blog, meu trabalho em casa, a casa, os guris (que estão numa fase que me desafiam o tempo todo).
Sou bem liberal com os guris com relação a brincar. Criança DEVE brincar, deve descobrir as coisas, deve fazer atividades que acabam bagunçando, sujando, rasgando coisas. É assim que eles vão aprender como as coisas funcionam. Tem dias que estou exausta (quase todos os dias), então não arrumo tudo que deveria, o quarto deles fica mais tempo bagunçado do que arrumado, minha sala parece que passou um tsunami, mas tem coisa mais gostosa do que pegar almofadas, colocar no chão e brincar de outra forma? que pular na cama? que correr pela casa atrás do irmão? que dançar enlouquecidamente a sua música preferida?
Quando estou com eles, penso como se eu fosse criança, o que eu gostaria de fazer? que tipo de atividade eu gostaria que a minha mãe tivesse feito ou fizesse comigo? e é isso que eu faço com eles.
Minha infância foi marcada pela presença da minha irmã mais velha sempre comigo. Então praticamente tudo me remete a ela. O que nós fazíamos juntas, onde íamos, o que eu gostava de fazer. E transporto essas atividades para os dias de hoje.
Não tem coisa melhor que ver o sorriso dos meus filhos felizes correndo num parque, subindo numa árvore, mexendo na grama, tudo isso é extremamente saudável.



E nessas lembranças de parques, viagens e brincadeiras, não vem a lembrança da minha mãe comigo, vem a da minha irmã.
O mesmo com relação a atenção e cuidados do tipo "mimo". Fazer um lanchinho legal pra receber os amiguinhos, estudos junto, filmes e danças. Isso tudo me remete à minha irmã.

Não é uma reclamação, não sou magoada com isso, mas digo isso, porque quero que no futuro, meus filhos lembrem de coisas legais que fizeram em MINHA COMPANHIA, não somente com outras pessoas.

As vezes as pessoas me questionam "nossa, mas tu sai sozinha com eles?!" "tu vai em parque sozinha com eles?!" SIM!!
Pelo simples fato de que as minhas amigas que não têm filhos não tem paciência de parques, não acham necessário, não gostam. No meu caso, além de adorar, eu faço isso POR ELES. Pq sei que eles gostam disso.
Se eu ficar dependendo de ter uma boa alma pra ir comigo em parques ou atividades legais, eu não sairia de casa. A única (Ú-NI-CA) pessoa que eu tenho 100% de certeza que eu poderia contar sempre pra estar comigo nessas coisas é justamente a minha irmã mais velha, mas moramos em Estados diferentes e infelizmente isso nem sempre é possível.
Os guris não vão em escola ainda, então eu preciso fazer atividades que desenvolvam coordenação, imaginação, atividades físicas e etc com eles EM CASA!

Então, vamos lá. Nós três, com a casa bagunçada, com roupa pra pendurar, com louça na pia, mas sem passar os dias de sol socados em casa e sem passar os dias de chuva socados na frente da TV! :)

Um dia eu sei, eu tenho certeza, que alguém reconhecerá isso tudo que faço por eles. E se ninguém reconhecer, não tem problema. Minha consciência me reconhece, ela sabe o quanto nós três somos DIVERTIDOS juntos.

E vamos fazer valer a pena né!

P.S.: Isso não é uma crítica a criação recebida pela minha mãe, que foi muito boa. Só pra deixar claro, sempre tem uns atravessados aí....

6 comentários:

  1. Curti e adoro ler, ouvir e/ou conviver com mães que não dependem de um batalhão de familiares e auxiliares para dar a volta na quadra com um RN.

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  2. Noooossa! Eu ando preocupada...meu marido tem dito quase que diariamente que eu estou parecidíssima com minha mãe. E eu sei que isto não é um elogio!!!Tô perdida! rsrsrsrs

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  3. Eu desde muito pequena sempre disse que não queria ser parecida com a minha mãe. Nunca fiz nada pra perder a confiança dela e ela nunca confiou em mim, isso sempre me doeu. Nunca deixou eu sair pra brincar com as minhas amigas, na casa das amigas, estudar fora de casa com elas, sempre em casa ou na frente de casa, e se sumisse do campo de visão dela por um segundo lá vinha o castigo. Meu filho ainda é muito pequeno, mas sei que quando chegar a época dele vou gostar de ve-lo fazendo amizades, indo estudar com os colegas e coisas do tipo.

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  4. Eu bem que tento não ser como minha Mãe foi comigo, mas tem dias que me pego agindo igualzinho a ela.
    Vou tentar me espelhar em você, gostei muito da sua rotina com os meninos, das brincadeiras.
    Tentarei pensar assim, o que eu gostaria de fazer se eu fosse uma criança.
    Parabéns pelo post.
    http://viniciusmamaequedisse.blogspot.com.br/2013/07/novidades-do-vini.html

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  5. Oi, Bruna! Mesmo sendo muito parecida com minha mãe em muitas coisas, e tendo ótimas lembranças dela da minha infância, eu sei que sou com Luquinha uma mãe diferente do que ela foi para mim. ;) Ainda assim, todos os dias penso que quero que as coisas "terminem" como "terminaram" comigo. Somos felizes, eu e meu irmão. E é isso o que os pais esperam dos filhos, é? ;) Adorei o post e a reflexão!

    Um beijo grande!
    Julia.

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  6. Ai Bru eu realmente viajei no que vc escreveu. As lembranças da minha infancia... Baah eu tbm tive uma situação bem parecida com a tua, minha mãe biologica faleceu quando eu era bem pequena, meu pai foi sempre muito rigido e sempre trabalhou muito, chegando ao ponto de eu e meu irmão dormirmos sozinhos em casa por conta do trabalho dele. Meu irmão nunca foi muito do tipo "eu brinco contigo irmãzinha". Então as poucas atividades que faziamos juntos eu tentava fazer de tudo para agradar ele, talvez na esperança que ele fizesse mais atividades comigo. A minha mãe do coração desde que eu estava gravida me dizia que a filha era minha, e que eu nao podia ficar dependendo dos outros, e é realmente assim que sou. Se tenho duas coisinhas basicas para sair (tempo e dinheiro) pego uma mochila com fraldas, mamadeira em um dos braços e no outro a Sophia. Quando estou na casa do meu pai tento ficar o maximo de tempo com ela, brincando, conversando, fazendo arte :) E quando estamos na casa da vovó como tem mais povo é aquela muvuca ninguem parado quietinho, corre, brinca, cuidado! não sobe ai tu vai te machucar! Tento ser o máximo que posso pra ela. E me enche os olhos de lágrimas quando alguem pergunta pra ela
    - Sophia, de quem você é?
    E ela responde:
    - Mamã, mamã
    Sim Bru talvez ninguem mais reconheça isso, mas só de ver os rostinhos deles já basta.

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Fico muito feliz com seu comentário! :)