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Recebi de uma leitora: "Já sofri abuso sexual"

Confesso que quando essa pessoa me contou isso, fiquei transtornada. Não sabia nem o que responder pra ela, como agir.
Tenho muitos medos com os meninos com pessoas estranhas, não deixo muita gente pegá-los no colo, não saio de perto do carrinho nunca. Eles chamam atenção, então estou sempre de olho. Não descuido por um segundo.
Mesmo eles sendo meninos, sei que ninguém está livre, então acho que quanto mais informações tivermos, melhor.

Essa leitora, que vou deixar no anonimato em respeito a ela, me escreveu pedindo um espaço pra debater o assunto.




Leiam com atenção e só deixem comentários se for algo construtivo ou de apoio, ok?
Ninguém aqui está de brincadeira. E esse assunto é MUITO SÉRIO:

"Quando nos tornamos mães alguns medos se tornam reais, outros fóbicos... qualquer que seja o final, são medos.
Essas semanas foram de notícias intensas sobre abuso sexual de criança. A entrevista da Xuxa gerou muitas especulações sobre veracidade, culpa, vergonha e tudo mais... mas gerou também especulações na minha cabeça sobre o assunto.
Como? Como proteger a minha filha de pessoas monstruosas assim? Como reconhecer essas pessoas? Como proteger, mas não sufocar... proteger, mas não deixá-la numa redoma de vidro? Como não passar esses medos pra ela?
Fantasmas rondam essas perguntas e só consigo pensar que nada de mal pode acontecer com a minha lindona.

Decidi depois de tanto tempo que se esse mal me aconteceu ele deveria servir pra algo útil. Ao mesmo tempo em que preciso exorcizar esse assunto eu quero usá-lo pra alertar as outras mamães. Sei que não somos donas do tempo, donas de um controle total, mas acho que posso dar o seguinte conselho: observar e apoiar! Quero deixar pra minha filha o recado de que estarei sempre pronta pra apoiá-la e pra ampará-la. Por isso pedi espaço pra Bru no blog... ainda que o assunto seja forte ele precisa ser falado.
Quando era pequena vi o filme ET e cheguei pros meus pais e perguntei: se eu visse um ET vocês acreditariam em mim?
Eu vi um ET... mas não tive coragem de contar!

Toda vida achei que me livraria numa boa de uma situação de estupro ou de abuso. Gritaria “fogoooo” e seria salva! Não gritei. Na verdade fiquei muda, com marcas de minhas unhas no rosto e... muda.
Não vou contar os pormenores, mas quero dizer que no dia em que sofri o abuso eu percebi que avisos foram dados antes e ninguém percebeu, nem eu. Fui abusada pelo marido da irmã do meu pai. Uma pessoa que era acima de qualquer suspeita. Tanto que nem eu pude acreditar enquanto aquilo acontecia. Não pense que meus pais eram negligentes, não eram... mas, como eu disse: acima de qualquer suspeita.

Por que eu? O que eu fiz? Onde errei? Percebem que a culpa sempre é nossa. Até hoje eu não entendo o motivo, mas todo dia eu tento não me culpar,  pois sei que o ET, o monstro, é ele.
Isso aconteceu num verão na casa deles, onde fui dormir pra voltar de carona pra POA. Cheguei na cidade e corri pra contar pra minha prima, pois tinha medo de contar aos meus pais e não acreditarem em mim e também pra saber se algo assim tinha acontecido com ela. Chorava o tempo todo. Contei pra minha dinda que é psicóloga pra saber o que fazer. De tanto me ver chorar minha mãe me pressionou e pedi que ela falasse com minha dinda... não tinha coragem de falar.

Assim minha mãe e irmã ficaram sabendo e minha mãe chamou o irmão do meu pai para que assim contassem tudo a ele. Não contaram! Falaram pra mim e pra minha mãe que era melhor assim pela família. O abusador inclusive tentou subornar minha mãe e disse que eu estava louca... chegou a usar a doença do meu pai para dizer que eu estava desequilibrada emocionalmente.
Aí que eu quero chegar no ponto, pais e mães! Me calaram! Acharam melhor não contar ao meu pai, que estava doente! Não me deixaram denunciar! TUUUUDO ERRADO!

Foram contar pro meu pai um mês depois... minha tia... dizendo que eu queria destruir o casamento dela. Simmmm ela, minha tia, ficou ao lado do marido e me acusou!!! Quis me colocar contra o meu pai e bem provavelmente me colocou contra a família. Nunca saiu da minha boca versão nenhuma, mas sei que há uma entrelinha na família... que contou uma versão que ela quis. Se eu tenho vontade de gritar pra todo mundo? Simmm! Se eu não entendo como eles ainda falam com ele? Simmmm, não entendo!!! Não consigo conceber a ideia dele me ter feito tanto mal e meus outros familiares falarem com ele, da minha tia estar com ele. Nunca perguntei... mas queria chegar pra ela e dizer: Que motivo eu teria pra inventar isso? O que eu ganhei com isso, se é uma invenção?

Enfim, é um desabafo e um pedido... deem suporte aos filhos (com meninos também acontece e é ainda menos falado), deem esclarecimentos, deem segurança para que eles sempre possam contar se casos assim acontecerem.
Vamos torcer para que esse mal não atinja nenhum de nossos filhos!!"

Lembrando que o número para DENÚNCIAS É 100.

10 comentários:

  1. Tenha força e paz no coração. Meu Deus, esse é um dos meus maiores medos, e concordo com a Bru, uma neura com o meu menino.
    Oq posso lhe dizer além de um abraço no seu coração.

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  2. Muito emocionante este relato. Sou mãe também tenho 1 casal e estou grávida. Não consigo se quer imaginar um acontecimento tão ruim na vida de meus bebês! Imagino o quanto deve ter sido difícil pra ela viver isso e mais difícil ainda por não acreditarem na história...

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  3. Acho que relatos assim servem de aviso, ninguém é confiável para que a gente fique cega... Temos sim que confiar desconfiando como diz a minha vó.... Entendo como se sente, comigo foi um quase, mas um "quase" que ja me fez perder a confiança nas pessoas, e só consegui entender as coisas depois de um tempo e dou graças a Deus de ter sido um "quase"... Força e paz :) As coisas ruins a gente acaba colocando numa gaveta, a gente não esquece mas tb não fica mechendo nelas o tempo todo!!
    Beijos

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  4. Parabéns por contar. Eu sou neurótica com isso, meu maior medo! Mesmo sendo Mae de guri, pois sei bem que isso acontece.

    Jorgea

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  5. Obrigada por compartilhar sua história.
    Estarmos alertas é a melhor proteção.
    Abraço e parabéns por encarar o ruim e transformar tudo isso numa atitude positiva.
    Ana

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  6. Bru, relato completamente chocante! O pior é que isso se repete muitas e muitas vezes, e isso TEM QUE ter um fim, e é isso que me pergunto... será que um dia terá!? Confesso que as piadas em torno da entrevista da Xuxa me chocaram profundamente principalmente por te vindo na maior parte de mulheres. O defeito da sociedade já começa por aí. Tem alguma coisa errada minha gente!Tb beiro até mesmo a paranóia em relação aos meus filhos, e como vc bem disse, meninOs não estão menos livre disso.

    Agora vou te contar sobre minha história. Aos 5, 6 anos mais ou menos fui molestada por meses, talvez até anos (naquela época não temos exata noção de tempo), pelo diretor da escola onde eu estudei por 8 anos e minha confiava cegamente, Um senhor cadeirante acima de qualquer suspeita. Contei esta história na BC sobre pedofilia no blog, e para minha grande surpresa recebi MUITOS e-mails, alguns até anônimos, agradecendo por eu ter dado a cara a tapa, pois assim eu estava encorajando outras a tb contarem suas histórias, Tinham mulheres que nunca haviam contado suas próprias histórias de abuso para ninguém, e depois do meu desabafo, conseguiram contar para o marido, outra para a mãe, uma outra fez um post em um blog amigo, e elas agradeciam por estarem se libertando de um monstro dentro de si. Sim, pq falar é libertador. E acho que por isso eu não sofro hj. Pq falo abertamente, para quem quiser ouvir, a fim mesmo de alertar mães, pais, famílias, que o maior inimigo pode estar ao nosso lado, com a maior cara de anjo do mundo, portanto hoje em minha vida, posso dizer que não confio em absolutamente NINGUÉM, a não ser em mim e meu marido. Acho que o que passei na infância tem que valer para alguma coisa boa.

    Muito pertinente teu post, muito corajoso da parte de sua leirora, e que ele chegue longe, aos olhos de muitas e muitas mães que ainda acham que o mundo é cor de rosa.

    É isso.

    Bjo enorme! =)

    A propósito: o meu molestador morreu de câncer de próstata, agonizou até a morte em uma cadeira de rodas. E achei pouco. O post que conto é esse aqui:

    http://contosmamaepolvo.blogspot.com.br/2011/05/pedofilia-eu-fui-vitima.html

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  7. Nem sei o que comentar... é triste, chocante e preocupante essa situação que rondam nossas famílias... acho que pelo menos, para esse tipo de caso deveria ter pena de morte no Brasil. O que passa na cabeça de uma pessoa que se acha no direito de abusar sexualmente de outra? O caso já é grave quando o abuso é contra um adulto, mas contra uma criança é bizarro demais, inaceitável!

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  8. Meu maior medo, como existem pessoas assim? são monstros ...
    Vou ler mais sobre o assunto para conversar e proteger da melhor maneira meu filho de 1 ano e meio, quando chegar a hora tenho que saber abordar o assunto com ele,enquanto ele não sabe se expressar, não tiro os olhos e não deixo com ninguém. beijos á todas

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  9. Também me preocupo em como abordar o assunto e quando abordar, pois se pode acontecer mesmo antes deles entenderem o que se passa. Não quero pensar que isso possa acontecer, mas também não podemos fazer vistas grossas pois é isso que deixa essas criaturas livres. A gente pensa: ahh na minha família, no meu meio isso não acontece... só com gente sem esclarecimentos e olha aí.

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  10. Este relato realmente serve de aviso. Pessoas assim não deviam existir, isso é uma maldade tremenda. Sou mãe, de 1 princesa e estou grávida de um menino, e confesso que tenho muito medo disso acontecer com 1 dos meus filhos. Sempre fico atenta quando saio de casa com minha princesa, e agora vi, que temos que ficar atenta até dentro de casa!

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Fico muito feliz com seu comentário! :)