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Como é Ser Gêmeo?! (Parte III) - Os sentimentos


Semana passada postei aqui e aqui as impressões sobre o universo gemelar visto por duas gêmeas adultas (idênticas) onde elas falavam de como é bom e as vezes complicado ser idêntica a outra pessoa. Hoje publico o relato da Márcia, gêmea bivitelina, que conta um outro lado. O lado da amizade:

"Meu nome é Márcia, sou gêmea bivitelina da Mariana. Vou tentar passar para vocês um pouco dessa experiência incrível que é essa relação...Observem que eu disse tentar porque sempre que falo ou escrevo sobre esse sentimento, tudo parece pouco e inexpressivo. Costumo dizer que tive a sorte de nascer ao lado da minha melhor amiga porque não basta ser gêmea tem que ser mais. Algumas vezes já comentamos que o sentimento que nos une é esse algo mais, nossos maridos sabem que não podem entrar "nessa disputa", esse amor não se escolhe, não se dimensiona, muito menos se explica, por isso não pode ser comparado ao amor de mãe, de marido, de melhor amiga... No dia 1º de junho próximo vamos fazer 30 anos, ela foi viajar de férias, mas volta a tempo de comemorarmos nossa data. Minha festa não existe sem ela. Já combinamos que estaremos sempre juntas para comemorarmos nossos aniversários. Faz pouco que moramos em casas separadas, ela casou em 2010, eu este ano, admito que a separação foi mais fácil do que imaginei.
Costumo dizer também que ser gêmea não me ensinou só a dividir brinquedos, roupas, tarefas, segredos, problemas, como me fez somar: + alegrias + sorrisos + amizades + bagunça + conversas + lembranças...Acho que o resultado de somatórios, divisões, multiplicações (tudo x2) só poderia ser um: o amor incondicional de uma pela outra. Não existe sentimento tão forte e puro. É único!


Quando criança éramos parecidas, mas o tempo passou e mudamos bastante. Várias vezes tivemos que mostrar nossas carteiras de identidade para provarmos que éramos mesmo gêmeas. A diferença física é positiva quando se fala em gêmeos, pois já bastam as comparações de personalidade, como se tivéssemos que gostar das mesmas coisas sempre, como se fossêmos uma só pessoa. Uma vez, estávamos no Rio de Janeiro, quando entramos numa loja e a vendedora perguntou se éramos gêmeas, rimos até hoje dessa situação, pois foi a primeira e acho que única vez que isso aconteceu. A verdade é que uma é o oposto da outra: ela gosta de guaraná e eu de Coca. Ela nasceu morena, eu loira. Ela prefere catchup, eu sou mais da mostarda. Ela gosta da clara do ovo e eu da gema. Eu penso com o coração, ela com a cabeça. Ela só pegou recuperação uma uma vez na vida e a professora ainda pediu desculpas para minha mãe, eu repeti de ano duas vezes. Eu adoro beijar e abraçar, ela acha isso cansativo. Ela é conselheira, eu sou mais aconchegante. Ela é tão séria, eu tão brincalhona.
Na nossa família existem 16 casos de gêmeos, ficamos na torcida para que uma de nós possa ter filhos gêmeos, mas eu sempre brinco dizendo que se for eu, que Deus me dê esse presente na primeira gestação, pois três filhos é demais para minha conta bancária. Nossa mãe só soube que teria gêmeos no sétimo mês de gravidez e ela sempre conta que comia tudo que estivesse grudado porque queria muito ter filhos gêmeos. Deu certo na terceira gestação. Somos quatro filhos, eu e a Mari as últimas a nascer, por isso, até hoje nossa família nos chamam de "as guriazinhas".
Eu e a Mari sempre tivemos as roupas parecidas, algumas vezes iguais, outras com cores diferentes e isso nunca nos incomodou. Quando entramos no colégio, a professora orientou nossa mãe a nos colocar em salas separadas para que pudéssemos desenvolver nossa individualidade, mas acho que não desenvolvi muito bem a minha, pois sempre estava com a turma de amigas dela, que são nossas amigas há 27 anos. Agora, prestes a completar 30, decidimos fazer o mesmo corte de cabelo, mas acho que não é uma questão de não lidar bem com a individualidade, penso que o momento está mais para crise dos 30. Brincadeirinha!
Mariana e Márcia

Um beijo para quem é gêmeo, mãe e pai de gêmeos ou para quem, como eu, é fascinado por esse mundinho.

Obs: a foto de quando éramos bebês, nossas amigas chamam de "personalidades", pois minha irmã sempre foi mais séria e eu muito festeira. Tanto que minha mãe conta que quando eu abria os olhos, ainda bebê, ela tinha que me tirar do quarto porque eu sempre acordava a Mari. E foi sempre assim, depois que crescemos eu a acordava porque queria brincar e ela, claro, queria me matar. :D"

Márcia, obrigada por dividir com a gente essa tua experiência de ser gêmea e parabéns pelo carinho que vocês têm uma com a outra. É lindo de ler.

Beijo,
Bru

6 comentários:

  1. Hahahahahaha. Mas esse relato é meu, gêmea Márcia. Adorei!!!

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  2. Linda história. Adorei esse relato Bru.
    Parabéns pelo blog. Chorei!

    Bjssss

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  3. Amei ver o relato da Márcia!!!!

    Como sou gêmea univitelina, e minhas bebês que estão hoje com 8 meses, são bivitelinas, então não sabia muito como seria pra elas, na fase adulta, sendo gemeas diferentes, por isso amei ler o relato de uma bi rsrsrs, saber que mesmo diferentes, podem ser amigas inseparáveis!!

    Beijos Gisa, Melissa e Yasmin

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  4. adorei os relatos sobre os gêmeos, pois sou mãe de gêmeos bivitelinos e apesar de nunca ter tido a pretensão de ter gêmeos e quando soube que eram gêmeos fiquei petrificada, mas depois me acostumei com a idéia e hoje 1 ano e 11 meses depois tenho a certeza que foi o melhor que aconteceu na minha vida e não me imagino sendo mãe de um filho só.

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  5. OI adorei sua historia eu tambem sou gemea e tenhos filhas gemeas, esse ano estou chegando nos 30 aninhos ... Eu tamb tive a sorte grande de nascer junto com minha melhor amiga assim comominhas filhas e vcs ... esse mundo de gemeos so sendo para saber como é magico !! saber o q a outra sente sem ao menos estar por perto, conversar com os olhos e saber que não pode viver sem essa sua amiga. Minha irma é minha alma gemea.

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Fico muito feliz com seu comentário! :)